Com apoio da Câmara, jornalistas recebem o tradicional Prêmio Vladimir Herzog

André Moura/CMSP

Premiação também celebrou a 40ª Edição do “Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos”

MARCO ANTONIO CALEJO
DA REDAÇÃO 

Todos os anos, além de renderem manchetes em jornais, revistas, plataformas multimídias e emissoras de rádio e TV, algumas matérias jornalísticas ganham destaque especial no “Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos”, o mais prestigioso do gênero no país. Na cerimônia deste ano, na noite da quinta feira (25/10), no Teatro Tucarena, da PUC-SP, Zona Oeste da capital, a premiação também celebrou a sua 40ª edição.

Organizada por 13 instituições* ligadas ao jornalismo e à defesa dos Direitos Humanos, a premiação recebeu neste ano a inscrição de 607 trabalhos jornalísticos, em seis categorias: Artes (ilustrações, charges, cartuns, caricaturas ou quadrinhos), Fotografia, Produção Jornalística em Texto, Produção Jornalística em Vídeo, Produção Jornalística em Áudio e Produção Jornalística em Multimídia.

Para Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog (1937-1975), a premiação busca reconhecer o jornalismo de interesse público. “Premiamos matérias que denunciam violações contra o cidadão, contra os direitos humanos. Que o nome do meu pai, atribuído a este prêmio, sirva de inspiração para vocês, jornalistas”, disse Herzog, que preside o instituto que leva o nome do seu pai, uma das instituições que organizam o evento.

Prestigiado por profissionais da comunicação, o prêmio valoriza as histórias narradas país afora, com conteúdo relacionado aos Direitos Humanos. “O mapa da fome”, da Record TV São Paulo, recebeu menção honrosa na categoria Vídeo. Segundo Leopoldo Moraes, repórter cinematográfico da Record, a reportagem mostrou a realidade de estados brasileiros onde há pessoas que vivem em situação de miséria. “O mais chocante foi termos encontrado na cidade de Queimados, no Rio de Janeiro, uma senhora que não se alimentava há três dias. Em um lugar tão próximo de um dos maiores centros financeiros do país, uma pessoa não tem o que comer”, disse Moraes.

Na categoria Áudio, a Rádio CBN de João Pessoa (PB) venceu com a matéria “Trans: o Difícil Caminho para a Educação”. Um dos autores da reportagem, o jornalista Marcelo Henrique Andrade explicou como surgiu a ideia de produzir o trabalho: “O que motivou foi justamente a falta de motivação da população trans. As agressões, o preconceito e a discriminação começam muito cedo. Essas pessoas não conseguem o apoio necessário”.

A edição deste ano homenageou ainda o escritor e jornalista Bernardo Kucinski. Aos 81 anos, Kucinski disse que foi uma honra receber a homenagem. “O prêmio Vladimir Herzog é um sinalizador, para a nossa categoria de jornalistas, dos fundamentos da profissão. Costumo dizer que a parte mais nobre do nosso ofício é quando nós conseguimos salvar uma vida ou defender direitos”, disse Bernardo.

À época diretor de jornalismo da TV Cultura, Herzog foi encontrado morto nas dependências do DOI-Codi (Centro de Operações de Defesa Interna) – órgão militar da ditadura – em 25 de outubro de 1975, após se apresentar voluntariamente ao Exército. Em nota, o DOI-Codi alegou na ocasião que ele havia se suicidado. No entanto, a versão não convenceu sua família nem colegas de trabalho, que fizeram um abaixo-assinado para contestar a versão oficial, alegando que ele morreu em decorrência da tortura.

Em março de 2018, a Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão da OEA (Organização dos Estados Americanos), considerou que o Estado brasileiro era responsável por não ter investigado novamente o caso, após o fim do regime militar. Na Câmara Municipal de São Paulo, em 2012, a memória de Herzog também foi homenageada, por meio da criação da Comissão da Verdade Vladimir Herzog, presidida pelo vereador Gilberto Natalini (PV) e criada para esclarecer fatos ocorridos durante a ditadura.

*Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI); Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil (UNIC Rio); Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Conectas Direitos Humanos; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP); Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom); Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional); Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo; Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo; coletivo Periferia em Movimento; Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e Instituto Vladimir Herzog.

Confira os trabalhos premiados:

Categoria: Arte
– Vencedor: Brum – Jornal Tribuna do Norte (Natal/RN) – “Marquinha”;
– Menção honrosa: Gilmar – Rádio Peão Brasil – Santo André/SP – “Tiro”.

Categoria: Fotografia
– Vencedor: Albari Rosa – Jornal Gazeta do Povo – Curitiba/PR – “Consumidos pela escravidão”;
– Menção honrosa: Mauro Pimentel – AFP (Agence France-Presse) – Rio de Janeiro/RJ – “Guerra na porta de casa”;
– Menção honrosa: Paulo Pinto – Fotos Públicas/Revista Exame – São Paulo/SP – “Nos braços do povo”.

Categoria: Áudio
– Vencedor: Marcelo Henrique Andrade e equipe – Rádio CBN – João Pessoa/PB – “Série de reportagens trans: o difícil caminho para a educação” – Equipe: Jonathan Dias lima e Maria Eduarda Madu;
– Menção honrosa: Queila Ariadne e equipe – Rádio Super Notícia FM – Belo Horizonte/MG – “Correntes invisíveis” – equipe: Ana Paula Pedrosa;
– Menção honrosa: Danyele Soares e equipe – Rádio Nacional – EBC – Brasília/DF – “Mulheres no cárcere” – equipe: Joana Darc Pereira Lima e Messias Costa Melo.

Categoria: Multimídia
– Vencedor: Ciara Carvalho e equipe – NE10 – Recife/PE – “Umaporuma” – equipe: Juliana de Melo;
– Menção honrosa: Stefano Wrobleski e equipe – Infoamazonia e Correo del Caroní – São Paulo/SP – “Explorando o arco mineiro” – equipe: Bram Ebus, Gustavo Faleiros, Oscar Murillo, Miguel Peixe.

Categoria: Texto
– Vencedor: Nathan Fernandes e equipe – Revista Galileu – São Paulo/SP – “A síndrome do preconceito” – equipe: Gabriel Estrela, Cristine Kist, Giuliana de Toledo, Tomás Arthuzzi e Feu;
– Menção honrosa: Amanda Rossi – BBC Brasil – São Paulo/SP – “Monstro, Prostituta, Bichinha: Como a Justiça Condenou a 1ª Cirurgia de Mudança de Sexo do Brasil e Sentenciou Médico à Prisão”.

Categoria: Vídeo
– Vencedor: Mariana Fabre e equipe – TV Brasil – Guará/DF – “Defensores sob ameaça” – equipe: Marcelo Castilho, Pollyane Marques, Samantha Oliveira, Tatiane Costa, Sigmar Gonçalves, André Rodrigo Pacheco, Francislene de Pa;
– Menção honrosa: Daniel Motta e equipe – Record TV – São Paulo/SP – “O mapa da fome no Brasil” – equipe: Fabiana Lopes, Tiago Américo, Weslley Sale, Leopoldo Moraes, Mayolly Senna, Gustavo Costa , Rafael Gomide, Pablo Toledo.

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